Apresentação do trabalho aos alunos da pré-escola das Atalaias, Fundão.

 

Reticências

António Fontinhas
bio

1968, Covilhã, Portugal
Professor do 3.º Ciclo e Ensino Secundário de línguas portuguesa e francesa. A sua produção escrita é eclética desde argumentista de banda desenhada, curtas e longas-metragens, autor de textos narrativos, poéticos, letrista, libretista e dramaturgo. Estreou-se como artista na instalação INDEX, do projecto MAPAS – Inclassificáveis, em 2018, produzido pela Luzlinar.

Inauguração – Fragmentos

Paulo Robalo
bio

Paulo Robalo nasceu em Lisboa em 1965. Licenciado em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e complemento de estudos com o curso de Design Cénico Contemporâneo na Universidade complutense de Madrid. Leccionou o curso de Cenografia e coordenou o curso de ofícios do espectáculo na escola Chapitô durante mais de uma década. Desde 2007, foi colaborador e coordenou oficinas de Pintura de “Backdrop”e cenografia na Academia contemporânea do espectaculo no Porto na Restart e recentemente na World Academy em lisboa. Participou como cenografo nos grandes eventos nacionais;Lisboa capital da cultura 94, Expo 98, Gymnastrada 2003.Foi cenografo residente na companhia teatro do mar e no teatro da luz ,realizando inumeras cenografias com encenadores nacionais. Desenvolve um trabalho de pintura e instalação tendo sido representado por varias galerias e participado em bienais internacionais. Actualmente é docente da disciplina de Desenho na Escola artística Antonio Arroio. É co-criador em 2015 da associação cultural Passevite e em 2020 cria com a Maria Barroco a plataforma Penumbra Projectos Artísticos.

Paulo Óscar
bio

Paulo Óscar nasceu em Lisboa em 1959 e vive e trabalha em Vila Nogueira de Azeitão. Frequentou a Escola António Arroio entre 1980 e 1982, formou-se em Artes Plásticas na ESAD. Foi Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em 1982 e 1992. Foi distinguido em 1990 com o premio FIA e 2005 na Bienal de Aveiro. Entre 2002 e 2012 foi formador no Cencal na área da cerâmica criativa e atualmente é professor na Escola Artística António Arroio. Expõe colectivamente e individualmente com regularidade desde 1986, estando representado em colecções municipais e museus públicos.

Luís Giestas
bio

Luís Giestas nasceu em Vila do Conde em 1988.
Em 2009 concluiu Design de Equipamento pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Iniciou o seu percurso profissional como assistente do artista Miguel Palma, desenvolvendo paralelamente a sua prática pessoal (BES Revelação Museu Serralves, Porto 2011) e projectos de design (Projectos Originais Portugueses Museu Serralves, Porto 2011). Desde 2017 é professor na Escola Artística António Arroio.

Tomás Vasconcelos
bio

Tomás Lopes Vasconcelos (1988, Lisboa), vive e trabalha em Lisboa. É mestre em Arquitectura, pela Universidade Autónoma de Lisboa, e desde 2018 trabalha em arquitectura, em diversos ateliês da cidade. Actualmente integra a equipa de arquitectos do ateliê Aboim Inglez Arquitectos. Paralelamente, desenvolve trabalho artístico nas áreas do desenho e fotografia, e é arte-educador na associação Liberarte, Barreiro.

Catarina Nunes
bio

Catarina Nunes, Luanda, 1978. No seu desenvolvimento artístico dedicou parte do processo criativo à pesquisa e compreensão das possibilidades físicas e de significação da cerâmica. No caminho percorrido no Japão surgiu uma nova relação com o mundo. O estudo do Wabi-Sabi abriu portas a questões de confrontação e aceitação da efemeridade da matéria escultórica. Nas suas conceptualizações há uma mimetização de estudos biológicos ligados a um encanto pela natureza e pela sua interpretação científica.

Maria Barroco
bio

Maria Barroco é artista visual e produtora. É Mestre em Estética e Estudos Artísticos com especialização em Cinema e Fotografia pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa. O seu interesse é multidisciplinar mas mais especificamente na relação entre a criação artística e a filosofia. Entre 2014 e 2016 colaborou com o Festival Porto/Post/Doc. Entre 2018 e 2019 colaborou como produtora na Galeria Passevite em Lisboa, onde concretizou cerca de 30 exposições. Em 2020 foi bolseira da FCT com o objetivo de concluir a sua tese: “O cinema de Joshua Oppenheimer: uma leitura a partir de Nietzsche e Dostoiévski”. No início de 2020, em plena pandemia, criou em conjunto com o artista plástico Paulo Robalo a Penumbra, com o intuito de promover a criação e realização de projetos artísticos tanto a nível nacional como internacional. Mais recentemente, em 2022, organizou uma residência artística em Marrocos, o primeiro evento internacional organizado pela produtora Penumbra.

Teresa Silva
bio

Teresa Silva nasceu em 1988, em Lisboa, é coreógrafa e bailarina. Considera a disciplina da dança o meio propício para tomar consciência e aprofundar “estar em relação”. Vê a dança como algo que excede o corpo físico, o que se traduz num trabalho de atenção e sensibilidade, bem como numa abordagem multidisciplinar ao movimento. Formou-se pela Escola de Dança do Conservatório Nacional, em 2006, e pela Escola Superior de Dança e pelo PEPCC – Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança, em 2010. Desde 2008 desenvolve o seu trabalho coreográfico em estreita relação com o seu trabalho de interpretação, realizando múltiplas colaborações com artistas nacionais e internacionais e movendo-se principalmente entre Portugal, França e Itália. Das suas criações destaca “Ocooo”; “A vida enorme”/”La vie en or” co-criada com Maria Lemos; “Leva a mão que eu levo o braço” e “Um Espanto não se Espera” co-criadas com Elizabete Francisca; “Conquest”, uma adaptação de uma coreografia de Deborah Hay; “Letting Nature take over us again”, “O que fica do que passa” e “Nova Criação”, co-criadas com Filipe Pereira; “Oráculo” co-criada com Sara Anjo; e o projecto de investigação “Enjoy the weather”, do qual resultou um filme, duas peças sonoras e vinte e quatro partituras. Como bailarina tem colaborado com artistas como Kristina Norman, Vera Mantero, Sónia Baptista, David Marques, Marco d’Agostin, Loïc Touzé, Marlene Monteiro Freitas, Liz Santoro & Pierre Godard, Rita Natálio, Tiago Guedes, Luís Guerra, Tânia Carvalho, Ana Borralho & João Galante e Sofia Dias & Vítor Roriz. Desde 2012, tem vindo a dar aulas e a leccionar workshops, tendo em 2022 iniciado uma pesquisa em torno de práticas de atenção e de cuidado. É co-fundadora do grupo de trabalho “Aulas e Práticas de Dança, Hoje” interessado em reflectir sobre a prática pedagógica no âmbito da dança contemporânea e das artes performativas. Desde 2020 colabora com a produtora Agência 25.

Henrique Furtado Vieira
bio

Bailarino, performer e coreógrafo, efectuou a sua formação artística em INSA de Lyon, CDC de Toulouse e na Abadia de Royaumont. Colaborou como intérprete com Bleuène Madelaine, Eric Languet, Aurélien Richard, Céline Cartillier, Tino Sehgal, Salomé Lamas, Ana Renata Polónia, André Uerba, Sofias Dias & Vítor Roriz, e Vera Mantero. Colabora actualmente com Aloun Marchal e Chiara Taviani na criação de espectáculos onde os estilos se sobrepõem e onde a presença vocal e a imaginação são destacados.

Romain Beltrão Teule
bio

Romain Beltrão Teule nasceu em Paris, de mãe brasileira e pai francês. Licenciado em Design e Arte pela Escola de Belas Artes de Toulouse e Nantes. Em 2013, mudou-se para Lisboa para participar no PEPCC (Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica) do Forum Dança. Apaixonou-se por um britânico e aprendeu a falar inglês e, a partir desse momento passou a assumir a expressão oral e as línguas como lugar de pesquisa. Criou “Elisabeth”, uma performance em francês, português e inglês. Em 2016, com o objectivo de mergulhar numa língua desconhecida, passou um tempo no Japão, onde recolheu uma colecção de sons com a qual criou a peça “Légende”, uma conferência que trata da pesquisa ficcional sobre a língua dos pássaros. “Légende” foi apresentada no “Be Festival 2017”, em Birmingham, e fez parte da difusão “Best of Be Festival” no Reino Unido e em Espanha, entre 2018 e 2019. Em Setembro 2020 “Légende” recebeu o prémio do júri Melhor Espectáculo no FITT Noves Dramaturgies em Tarragona (Festival International de Teatro de Tarragona). Também criou “A vertigem”, com Lucie Lintanf e “Previsão do Tempo”, com Daniel Pizamiglio.

Miguel Pereira
bio

Miguel Pereira frequentou a Escola de Dança do Conservatório Nacional e a Escola Superior de Dança, em Lisboa.

Foi bolseiro em Paris (Théâtre Contemporain de la Danse) e em Nova Iorque com uma bolsa do Ministério da Cultura.

Como intérprete trabalhou, entre outros, com Filipa Francisco, Francisco Camacho e Vera Mantero. Participou na peça e no filme “António, Um Rapaz De Lisboa” de Jorge Silva Melo, trabalhou com Jérôme Bel em “Shirtologia (Miguel)” (1997) e foi intérprete em “Les Inconsolés” de Alain Buffard, na remontagem da peça em 2017.

Como criador destaca os trabalhos “Antonio Miguel”, peça com a qual recebeu o Prémio Revelação José Ribeiro da Fonte do Ministério da Cultura e uma menção honrosa do prémio Acarte/Maria Madalena Azeredo Perdigão (2000), “Notas Para Um Espectáculo Invisível” (2001), Data/Local (2002), “Corpo de Baile” (2005), “Karima meets Lisboa meets Miguel meets Cairo”, uma colaboração com a coreógrafa egípcia Karima Mansour (2006), “Doo” (2008), “Antonio e Miguel”, uma nova colaboração com Antonio Tagliarini (2010), “Op. 49” (2012), “WILDE” (2013) uma colaboração com a mala voadora, “Repertório para Cadeiras, Figurinos e Figurantes” (2015) para o Ballet Contemporâneo do Norte, “Peça para Negócio” e “Peça feliz” (2017), “Era um peito só cheio de promessas” (2019), e “Falsos Amigos” (2021) em colaboração com Guillem Mont de Palol.

Em 2003, 2007 e 2015 criou para o repertório da Transitions Dance Company/Laban Centre as peças “Transitions”, “Transitions II” e “Transitions III” que integraram a tournée nacional e internacional da companhia (2003/2004, 2007/2008 e 2014/2015).

No ano de 2003 foi alvo de uma mini-retrospectiva nas Caldas da Rainha, integrada no ciclo “Mapas” organizado pela Transforma-AC em colaboração com a ESTGAD.

O seu trabalho tem sido apresentado em toda a Europa, Brasil, Uruguai e Chile, e é professor convidado em diferentes estruturas nacionais e internacionais.

Desde 2000, convidado por Vera Mantero, é artista associado da estrutura O Rumo do Fumo.

Vera Mantero
bio

Vera Mantero estudou dança clássica com Anna Mascolo e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa, tendo iniciado a sua carreira coreográfica em 1987 e mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Uruguai, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura.

Desde 2000 dedica-se também ao trabalho de voz, cantando repertório de vários autores e co-criando projectos de música experimental.

Em 1999 a Culturgest organizou uma retrospectiva do seu trabalho até à data, intitulada “Mês de Março, Mês de Vera”. Representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004, com Comer o coração, criado em parceria com Rui Chafes. Em 2002 foi-lhe atribuído o Prémio Almada (IPAE/Ministério da Cultura) e em 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete.

Para mim a dança não é um dado adquirido, acredito que quanto menos o adquirir mais próxima estarei dela, uso a dança e o trabalho performativo para perceber aquilo que necessito de perceber, vejo cada vez menos sentido num performer especializado (um bailarino ou um actor ou um cantor ou um músico) e cada vez mais sentido num performer especializadamente total, vejo a vida como um fenómeno terrivelmente rico e complicado e o trabalho como uma luta contínua contra o empobrecimento do espírito, o meu e o dos outros, luta que considero essencial neste ponto da história. Vera Mantero


 

“Fragmentos” de Ivan Rodrigo Novais
Exposição de Fotografia
Espaço Biblos . Fundão
Rua dos Bombeiros Voluntários, n.5
26 de julho a 12 de setembro 2022

 

Inauguração: 26 de julho 2022 às 16h
Entrada livre!

 

Lampejo. Azul. Reflexo. Meio.
Contraste. Ação. Sutil. Vermelho.
Divisão. Verde. Escuridão. Anseio.
Precipitações de um tempo multifacetado percorrem a cidade. Como a fluidez das identidades contribuem para a [des]territorialidade?

Propostas de Projeto
Fundão 2022

A produção de uma série documental e de video-arte é, talvez a minha principal proposta de projeto para a residência no fundão. Trata-se de uma pesquisa sobre vários modos de vida no interior, de pequenos produtores e até mesmo de momentos de interação com a natureza, trazendo uma experiência sensorial, enquadrada em pequenos documentários e peças de video-arte, ilustrativos do trabalho e contemplação. Contrariamente a um registo clássico descritivo documental, em que as ações aparecem de forma sucessiva, descrevendo um processo ou uma narrativa, eu gostaria de envergar por um ponto de vista ligado ao sujeito. Transportando quem o visualiza para a sensação de estar a vivê-lo, desde as texturas da matéria, até à sonoridade paisagística e os visuais imersivos, descrevendo atividades de um modo cuidado em termos de fotografa, montagem e banda sonora.

Com a possibilidade de viver junto a estes sujeitos, temáticas e vivências, abre-se todo um potencial de exploração de paisagens sonoras (riqueza de ambientes de som), assim como de
análise da luz ao longo do dia e das estações. O meu trabalho foca-se principalmente na captura da misticidade dos momentos, ou seja, a transformação de ações que parecem simples em peças de caracter mágico, elevando a sua importância pela caracterização da luz.

O principal alvo de pesquisa e produção destes documentários são as pessoas que nesta região vivem ligadas à terra, e que cuidam dela diariamente, como pequenos produtores agrícolas e projetos de permacultura. Em que as suas produções respeitam a ciclicidade do ambiente, ou simplesmente tem a preocupação de suavizar o impacto na natureza ao produzir.
Também estará em foco a preservação de processos tradicionais, que foram concebidos ao longo de séculos e que hoje se estão a desvanecer. Isto inclui ofícios, metodologias e ainda a música, em especial os cantos de trabalho e as adufeiras (os). Gostaria de captar ainda alguns projetos em curso na região que estão inovar no estilo de vida, que estão a incorporar uma contemporaneidade de costumes e consciências numa vida em harmonia com a natureza e com as tradições locais.

Então, o projeto iniciar-se-á numa préprodução que inclui uma pesquisa essencialmente das temáticas, dos sujeitos e dos seus locais de trabalho, de paisagens e lugares de interesse no concelho. Falando de uma perspetiva mais técnica, a pré-produção é realizada com intuito de estudar visualmente, em termos de luz e cenários, para a captação, assim como um estudo de paisagens sonoras interessantes para o registo de ambientes. Ainda falando do ponto de vista sonoro, proponho ainda trabalhar com músicos locais que estejam interessados em participar nos projectos, ajudando na produção de uma banda sonora musical para cada pequeno documentário.

Já na fase de produção, será o momento de captação tanto de imagens como de som de entrevistas e assuntos relevantes a retratar, fazendo de forma acrescentada um making-of das sessões de gravação com registo através de fotografa analógica, que poderá complementar a visualização final dos documentários.

Na fase da pós-produção irei montar as imagens, através de um processo de edição e de ensonorização de cada peça, assim como de correção de cor. Nesta fase serão, ainda, estudadas as possibilidades de exibição do projeto, e de difusão não só na região, mas também ao longo do país.

Com todo este processo espero ter uma coletânia rica e transformadora, elevando o trabalho da comunidade, e possibilitando a pessoas de todo o lado a apreciar, quase que numa viagem sublime dos sentidos, a essência de viver nesta região, e a obstinação de todos os intervenientes nos seus trabalhos.

Projeto “Cuchicheo y murmullo”

O projeto que vou desenvolver na residência vai se concentrar os incêndios do cerro da Gardunha e na presença do fogo na paisagem de Fundão. A proposta tambem pretende definir o fogo , na sua complexidade, como um fóssil com vida. Por tanto eu vou trabalhar com pedaços e fragmentos de historias sobre os incendios, e tambem imagens e sons para construir um cenário
aberto de uma paisagem que vai se misturar com diferentes visões o que pode conter a presença do fogo e do incendio.

A metodología vai estar pensada para ter várias linhas de trabalho que estarão abertas a modificações pertinentes. Vão ser considerados conceitos como o do “murmullo” ou “cuchicheo”, que no seu propio significado em espanhol estão vinculadas ao conceito de ruido; esta relação entre palavras vai ser fundamental para identificar a ligação que vou desenvolver entre diferentes registos sonoros (por exemplo, dos cantos dos pássaros durante a noite, ou do vento, ou de pessoas a falar). A partir disso vai se criar um jogo perceptual e ambiguo com o significado do fogo e do seu proprio ruido.

Para esta residência, vou utilizar material fotográfico do Fundão e do cerro da Gardunha, material de arquivo visual (também da net), gravações de som feitas durante a residência, e recolha de material que poderia utilizar-se para fazer intervenções na sala de exposição da Asosiação ARS id.