O peixe e a pedra
Pintura e escrita – Augusto Meneghin e Judite Canha Fernandes

De que maneira este lugar nos influencia? De que maneira pode uma paisagem repleta de pedras estabelecer relação com uma fonte de energia que é também um alimento, como um peixe? Quais as relações que podem ser estabelecidas entre um peixe e uma pedra? As questões iniciais, antes de nossa vinda, foram pulverizadas, porque não partimos de uma ideia, mas da matéria, da escuta e da nossa transformação em relação com este lugar.

Ao estabelecermos estes seres como foco — o peixe e a pedra — surgiram outras relações: a matéria que é claramente animada, com outra que é animada de modo pouco claro. Uma impregnada de memória, outra quase sem memória. Estes paradoxos revelam o processo aparentemente absurdo de transformação da matéria.

Em imagem, em escrita, criamos sobre a possibilidade de uma matéria viva e animal ser transformada numa pedra, imóvel e silenciosa.

 

Imagem: Sem título (detalhe) 25*27,5 cm, tinta da China sobre papel japonês, 2020