Mariana Fernandes
bio

Concluiu o Curso Artístico Especializado de Produção Artística com especialização em Cerâmica em 2008. Em 2011 – Finaliza a Licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Conclui em 2012 uma pós-gradução em Ciências da Arte e do Património na mesma Faculdade e em 2013 uma Pós-graduação em Filosofia – Estética na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova.

Participou no projecto de escultura pública participativa Monumento à Multiculturalidade (2011- 2013) e integrou a equipa do Projecto Educativo Planisfério da Interculturalidade (2012-2016), no âmbito nas actividades do serviço educativo da Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea e da Câmara Municipal de Almada.

Integra os corpos sociais das associações Luzlinar, Feital, (2009-2017) e Goela, Lisboa, (2013- 2017) onde desenvolve trabalho artístico e educativo, em envolvimento com os lugares e as comunidades. É professora na Escola Artística António Arroio desde 2013.

Ostensório profano

Paisagem Altar

Mapear a paisagem com o corpo – Imprimir a paisagem no corpo

Realidade Submersas, um projecto artístico em torno das gravuras rupestres da Barroca.

Num processo de descoberta do lugar, encontrámos nas margens do rio Zêzere espaços que nos pediram para lá permanecermos mais um pouco. Estabelecemos relações inesperadas com formas, materiais, cheiros, texturas da terra. A Natureza fala connosco e diz-nos coisas com o seu corpo imensamente infinito, entra para dentro do nosso corpo rapidamente, sem nos apercebermos.

As formas do lugar tomam conta do nosso imaginário, tal como pensamos que aconteceu com aqueles que gravaram os animais na rocha, agora submersa, há muitos anos atrás.

Durante as caminhadas encontrámos motivos de surpresa, narrativas escondidas pela natureza, segredos da história do Homem, formas que geram o encontro com o corpo: musgos apetitosos ao toque, cascas de tronco de pinho que envolvem o nosso tronco humano, água corrente do rio, violenta e simultaneamente serena, pedaços de xisto que se abrem como páginas de um livro e se transformam em riscadores de maravilhosas cores para a escrita e para o desenho, o som do mar de uma queda de água ao longe.

Sentir o lugar sabendo que é sagrado, sacralizado há muito pelos nossos antepassados que nele escolheram desenhar, eternizando um gesto poético.

Através do desenho, fotografia e experiências de contemplação e composição na paisagem, reflectimos individualmente sobre aquelas gravuras na Barroca e os seus segredos. Muitas perguntas surgiram.

Ao confessarmos os pensamentos uma à outra, encontrámos o desejo comum de transformar o espaço envolvente às gravuras num lugar de Paisagem Altar recuperando, noutro gesto poético, a magia outrora celebrada nas margens do rio.

Propomos um altar disperso que esconde, absorve e revela tesouros, amuletos, objectos ritualistas do presente e do futuro, criados por nós.

Cada objecto criado será fundido na paisagem numa cerimónia performativa. A localização de cada objecto será mapeada em grafismos desenhados num pano e ficará guardado no acervo do Museu Arqueológico do Fundão.

Elsa Gonçalves e Mariana Fernandes
Maio de 2019

paisagem altar, guia para um ritual
exposição de Elsa Gonçalves e Mariana Fernandes
com participação de Ana Rodrigues

14 de outubro a 15 de novembro 2020
Espaço Pontes . Rua João Franco 33 . Cidade do Fundão

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2010

Se a forma escolhesse, talvez não estivesse ali.
Se a forma escolhesse, escondia-se na paisagem.

Participação da artista no canal Horizonte da plataforma – Buraco negro.
www.buraconegro.ar-s.org

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2010

No meio de tanta agitação finalmente encontrei os olhos das árvores e trouxe-os para o atelier.
Trazemos tudo o que encontramos para dentro do atelier.
Levamos tudo o que podemos para fora dele.

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2011

As raízes são pedaços de carne arrancada do solo.
Se escavar em volta do poste de alta tensão será que encontro alguma coisa?
Talvez uma raiz quadrada.

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2012

Se as pedras têm olhos onde os colocamos?
Ou será que cada pedra é um olho?
As pedras são olhos em si mesmas.

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2012

Não é fácil desaprender tudo o que se sabe.

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2013

As giestas são um pouco como rainhas de toda a serra.
Têm cabelos lisos e são cruéis quando imitam as árvores

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2013

Aqui nada é assim.
As pedras olham-nos, mas como iguais.
As pessoas são, a partir de agora, pedras para mim.
Quando vejo uma pessoa, vejo uma pedra.

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2014

Nunca me pude entender tão bem.
Nunca pude existir tão bem em cima das pedras.

Pensamentos na Serra do Feital ao longo da minha vida – 2015

Tu que não sentes tão bem o tempo, que não te fundes com o Natural.
Abre-te como forma, revela-te, para que servem esses olhos e bocas?

Participação da artista no canal Horizonte da plataforma – Buraco negro.
www.buraconegro.ar-s.org

Festa do Verde – Celebrar o encontro
Brigada de reinserção de rituais

Queremos fazer uma festa que celebre a floresta, as plantas, o verde e as pessoas, reforçando as relações afectivas entre todos os seres.
Precisamos de dançar, activar ancestralidade, ritual do encontro através do canto, da dança, do corpo, personificando a natureza.

Actividades para conhecer as pessoas daquele lugar – Dezembro 2021

Após fazermos a primeira a vista às aldeias de Meios, Trinta e Fernão Joanes, surgiram várias ideias para podermos prosseguir com a nossa participação artística neste projecto.

Decidimos realizar alguns objectos que irão interagir com a população a partir de Dezembro, data da próxima ida.

Esses objectos são pratos e copos, especialmente vidrados com diferentes verdes, e três caixas de diferentes dimensões. Todos estes objectos foram feitos por nós em diferentes tipos de pastas cerâmicas.

Os pratos e copos serão entregues a algumas pessoas com negócios de restauração, para que durante algum tempo criem receitas diferentes utilizando-os como receptores estéticos desses alimentos.
As caixas têm diferentes dimensões e serão deixadas nas três aldeias, com diferentes intensões. Cada caixa terá uma pessoa que se encarregará de a fazer deslocar entre as aldeias. Uma caixa será destinada à recolha de “receitas verdes”, outra às “histórias com árvores” e outra às “canções e poemas populares”. Em cada caixa existe uma ranhura onde podem ser colocadas todas essas palavras que espelham aquela comunidade.

A pessoa responsável por cada caixa deverá ser escolhidos por nós em conjunto com as forças de representação local. A ideia deve ser apresentada às equipes da junta de freguesia que nos ajudarão a fazer a divulgação desta recolha.

Os conteúdos das recolhas realizadas ditarão o rumo da nossa investigação artística.

Elsa Gonçalves e Mariana Fernandes