Pollyanna Freire
bio

Pollyanna Freire nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1982. Estudou Artes Plásticas na Universidade Estadual de São Paulo e é Mestre em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Frequentou no Ar.Co: Projeto Individual em Cinema, Imagem em Movimento, 2009-2010, Curso Avançado em Artes Plásticas, 2010-2011, e Projeto Individual em Artes Plásticas, 2011-2012.
Em 2013 recebeu a Menção Honrosa no IV Certame de Desenho da Fundación Centenera Jaraba, Espanha. Expôs coletivamente no Brasil 25º Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorana, Belém, 2006 e Zona Oculta: entre o público e o privado, CEDIM, Rio de Janeiro, 2009, e em Portugal e Espanha; Bolseiros e Finalistas do Ar.Co, Museu da Cidade, Lisboa, 2013 e 2014; Me, Myself and I, Fundación Centenera Jaraba, Madrid, 2013 e O pouco ou muito a diferença é pouca, curadoria de João Silvério, Módulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa, 2014.

Apontamentos Tridimensionais

De modo geral, as esculturas que faço são constituídas a partir de um pensamento formal muito elementar, com soluções que buscam sínteses. Para isso contribui o vocabulário geométrico que evoca sempre um princípio de simplicidade na sua morfologia, rejeitando o complicado em prol do complexo.(1)

A questão da escala tornou-se mais consciente na minha produção a partir de 2017, quando fui convidada pela curadora Luísa Soares de Oliveira para participar do projeto ArteMar. Este programa de exposições propõe a exibição de esculturas temporárias feitas com exclusividade para o Passeio do Estoril. Pouco ou nada familiarizada com a criação de esculturas para o espaço público, o desafio impôsse imediatamente. Para este projeto, além de estudar exaustivamente o local, tornou-se fundamental desenvolver uma maquete para o efeito, pois presumi que o trabalho deveria ter uma escala entre média e grande para que não ficasse completamente imerso nas envolvências e/ou diluído no fluxo das pessoas que por ali circulavam. O recurso à maquete foi natural, pois, como estudo, criava uma maneira ótima – rápida e económica – de antecipar problemas de idealização da peça, criando uma etapa intermédia entre o desenho e o objeto. A posterior integração das maquetes no meu processo criativo possibilitou, sobretudo, progredir com alguma segurança para a construção de peças maiores, como na exposição “Cavalo Verde” de 2020.

Outro elemento que destaco, pois ilustra o que é característico do projecto actual que me proponho desenvolver, relaciona-se com a sua particularidade formal. Pretendo retomar uma abordagem muito semelhante àquela das esculturas que produzi entre 2013 e 2015, onde as peças eram compostas por barras e tubos metálicos. Por serem elementos delgados, esguios, também delicados, faziam lembrar linhas ou contornos que estruturavam “desenhos sem preenchimento”. Em outras palavras, como descreveu João Silvério em 2014, “como desenhos que se libertam da sua natureza bidimensional e assumem o espaço do espectador”.(2) Deste grupo de trabalhos interessa-me ainda hoje o seu caráter analítico, economia de meios e a maneira como, a partir de corpos quase desmaterializados, “recortam”- e num duplo movimento, “incorporam” – o espaço em volta.

O trabalho que desejo desenvolver actualmente, grosso modo, pretende uma reunião destas duas vertentes há pouco descritas. Conduzir o aumento de escala a esculturas que utilizam um vocabulário anterior onde formas tridimensionais delineiam-se no espaço através dos seus contornos. Movida pelo desejo de dar seguimento a possibilidades não exploradas suficientemente em 2015, retomo esta linha formal com recurso à experiência adquirida desde então.

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1 “Os coloridos de cada peça (agora únicos por peça) pedem a cor das outras peças para dialogar, do mesmo modo que as formas (mais estáveis do ponto de vista material, pois todas as peças são em metal pintado) proporcionam individualmente uma multiplicidade de outras formas, consoante o ponto de vista (o jogo de sombras sempre acrescentou esse diálogo) que as torna mais complexas que complicadas.” (PINHARANDA, João. Catálogo EDP Novos Artistas, 2015)
2 SILVÉRIO, João. Folha de sala. O pouco ou muito a diferença é pouca. Novembro de 2014

 

Retorno à comunidade

No período que decorre o apoio e em contributo à comunidade local, poderão ser desenvolvidos :
– Workshops junto às escolas onde o exercício da escultura seja transmitido através de uma prática dirigida, adaptada à faixa etária do grupo. Em relação aos jovens, a abordagem teórica do trabalho de artistas contemporâneos (a partir dos anos 60) também contribui para o alargamento da compreensão em relação a uma produção escultórica menos tradicional. Para tal proposta, convoco minha experiência durante 2 anos como assistente de departamento no Centro de Artes e Comunicação Visual – Ar.Co, e outras experiências mais dispersas realizadas com crianças nas faixas etárias dos 4 e 5 anos.
– Sessões com conversas abertas ao público mais especializado sobre o projecto ou outros temas relacionados à criação e ao panorama artístico contemporâneo, em contextos que se julguem adequados. Disponibilizo-me também a um processo de trabalho em regime de atelier aberto, livre a visitação, com o intuito de tonar o fazer artístico mais próximo de pessoas com outras vivências, apresentando-o no seu mais diminuto, mas constante, fazer cotidiano.