Uriel Orlow
bio

A prática artística de Uriel Orlow é baseada na pesquisa, orientada para o processo e multidisciplinaridade, incluindo o filme, a fotografia, o desenho e o som. Exposições individuais recentes incluem La Loge, Bruxelas; State of Concept, Atenas; Kunsthalle Mainz, Tabakalera, San Sebastian; Kunsthalle St Gallen, Les Laboratoires d’Aubervilliers Paris, Market Photo Workshop and Pool, Joanesburgo; The Showroom, Londres ou Castello di Rivoli, Turim, entre outras.

As obras de Orlow são apresentadas internacionalmente em museus, festivais de cinema e bienais, incluindo a Manifesta 12, Palermo (2018), Sharjah Biennial (2017) e a Bienal de Veneza (2011). Em 2020, Orlow recebeu o Prémio CF Meyer e em 2017 recebeu o Prémio Bienal de Sharjah. Orlow também recebeu três prémios Swiss Art, na Art Basel. Monografias recentes incluem “Conversing with Leaves” (Archive Books, 2020), “Soil Affinities” (Shelter Press, 2019) e “Theatrum Botanicum” (Sternberg Press, 2018). Uriel Orlow é pesquisador sênior da University of Westminster London, professor visitante no Royal College of Art London e docente da University of the Arts Zurich (ZHdK).

www.urielorlow.net

A lot of my research and artistic practice in recent years has focused on the botanical world, considering plants as active agents rather than a passive backdrop. I have explored botanical nationalism, flower diplomacy and medicinal plants in South Africa as well as the garden Nelson Mandela and his fellow inmates created in Robben Island prison during their 18 year incarceration (Theatrum Botanicum). I’ve also created a communal medicinal herb garden in London and worked with a cooperative of women in Congo on another garden project (Learning from Artemisia). I have also researched the changes in land use and the agricultural movements in Europe and beyond it (Soil Affinities).

I am particularly interested in trees as witnesses, intersecting human and natural history (Memory of Trees, Wishing Trees). I have also recently become more interested in the ecosystem of the forest as a physical but also mental space and have been inspired by

Eduardo Kohn’s book How Forests Think.

My work is quite research based and responsive to site. After an initial visit to a place I develop an interest in one aspect / area which I pursue over time and through longer stays. I usually don’t have a preconceived theme or medium but rather develop both the thematic focus and the methodology context-specific and research driven. Dialogue, exchange and engaging with local stakeholders, population and practitioners is always key in the development of any project. I work with analogue photography, video, drawing, installation and socially engaged practices.

Há centenas de anos que as florestas mantêm registos detalhados das actividades humanas que se desenrolam à sua volta. Recentes pesquisas demonstram que os anéis e o ADN de árvores vivas revelam os impactos da cultura humana, como por exemplo são representativas as cicatrizes da ocupação colonial. A investigação pioneira de Suzanne Simard revela como as árvores comunicam e cuidam umas das outras, através de complexos sistemas de raízes e de colaborações com fungos (ver também P. Wohlleben: The Hidden Life of Trees). Antropólogos como Eduardo Kohn questionam o que significa ser humano ao explorar a forma como “as Florestas Pensam”. Face à actual crise ambiental, se queremos sobreviver, precisamos de aprender com a Natureza, em vez de explorá-la somente.

Durante a minha estadia em residência com a ARS-Luzlinar, no âmbito do Laboratório Experiência da Floresta (4-16 Julho de 2021), concentrei-me nas florestas. Visitei-as longamente e examinei nelas formas de colaboração. Realizei assim o vídeo Dedication. A peça é uma homenagem à antiga associação de colaboração entre plantas e fungos nas raízes da maioria das plantas. Micorrizas são geralmente sistemas radiculares subterrâneos invisíveis que formam uma teia intrincada de troca de nutrientes e permitem que as árvores comuniquem umas com as outras. Dedication é uma instalação vídeo de 5 ecrãs acompanhada por uma série de esculturas integradas no chão, e inscreve-se no projeto mais amplo e multipartes TREE SCHOOL, ainda em desenvolvimento, que explora formas radicais de pedagogia vegetal através de workshops, instalações e filmes.