As árvores – é nelas que centro o meu pensamento agora e a minha ação.

Apesar de ter podido escolher muitos outros seres ou elementos como objetos de estudo, são estes que, neste momento, se fazem sentir mais presentes em mim, por serem os objetos que eu personifico, nos quais eu me projeto e que partilham comigo todas as sensações melancólicas e azuis do tempo e do nosso espaço. Porque, neste momento, existe um espaço só nosso, que criei para estar a sós com elas. Ambas queremos – a vertigem do azul. Esse é o nosso espaço melancólico – interior, mas comum entre nós.

E quando cheguei ao Fundão pela primeira vez, foram essas árvores melancólicas que eu senti encontrar na serra. Não só na serra, também no meio das pessoas e da cidade. Mas foram essas primeiras que falaram mais comigo.
Talvez por me ter sentido sozinha no meio delas e ter achado que também elas precisavam de companhia.

Para além deste ser um trabalho sobre mim, de tratar a auto representação, o tempo, o espaço da serra e das árvores, é um projeto sobre o melancólico e sobre o processo de criação. Ainda mais pelo facto de estar inserido numa residência, todo esse processo passa a ser mais valorizado e importante, por ter de haver sempre um regresso, uma continuidade e novamente um momento de aparente pausa, antes do novo regresso.

No fundo, tanto esse tempo como o das árvores têm os seus ciclos e eu tento inserir-me em ambos, para criar o meu.