A minha planta voltou ao Fundão e ainda não deu flor. Só caules esguios e folhas que dançam.

Depois da manhã de sexta feira, percebi que quero centralizar o meu projeto apenas numa zona da serra, que compreende aproximadamente sete árvores. Foi com essas que senti uma maior aproximação e foi também nesse espaço que me senti mais confortável para me fotografar.
Todas têm uma função. Três delas são as que partilham comigo o espaço mais profundo e que vou fotografando mais obsessivamente. As outras três são os suportes para a minha máquina fotográfica, para a câmara de filmar e para o meu telemóvel. Eu movo-me por entre todas e volto constantemente à máquina fotográfica para preparar o novo disparo e ligar o temporizador. A última árvore é a mais frágil. Sinto que tem frio e visto-lhe o meu casaco amarelo, que é demasiado quente para o exercício de me fotografar. Sinto que ela precisa mais dele do que eu ali.

Na manhã de sábado voltei à serra para repetir os mesmos procedimentos e o mesmo exercício. Tudo mudou um pouco, porque houve uma pausa. Percebi, passado quase uma hora, que, para além de me relacionar com elas, também gostava de perceber o que é ser árvore. Foi aí que parei de fotografar e comecei a fazer alguns filmes, que não penso como filmes, mas sim como curtos estudos de performances, em que tentava assemelhar-me a elas. Senti a brisa que me fez baloiçar, o vento que me fez tremer. Estiquei-me o mais que pude. Tentei trepar pelos seus troncos. Usei ramos como extensões dos meus braços, demasiado pequenos em comparação com os braços delas. Caí e tentei erguer-me do chão como uma árvore. Olhei para o céu e pensei se é para o céu que elas passam o tempo a olhar. Ou se para todas as direções ao mesmo tempo.