Coletivo Siroco
bio

O Coletivo Siroco, fundado em Lisboa em 2018, trabalha essencialmente com têxtil, explorando técnicas variadas. É composto por três pessoas com competências e conhecimentos em diferentes áreas: Begoña Claveria é ilustradora e designer gráfica na Ivity Brand Corp, agência de branding. Marisa Escaleira é designer de figurinos tendo colaborado com artistas de palco como Marlene Monteiro Freitas e Flora Detraz. Anafaia Supico é artista têxtil, tendo já trabalhado para artistas plásticas como Joana Vasconcelos, Ulla von Brandenburg ou Mélanie Matranga.

Ao longo dos seus ainda curtos anos de existência, o Coletivo Siroco participou em projetos de diferentes naturezas, experimentando e desenvolvendo soluções técnicas ligadas ao têxtil: em 2021, integrou a exposição Entretecido-Interlace no Pavilhão Branco das Galerias municipais; antes, em 2019-20, concebeu e produziu uma linha de merchandising têxtil (bandeiras, kimonos, máscaras e t-shirts) para o lançamento do álbum “Altid Sammen” da banda dinamarquesa Efterklang. Para além destes projetos, desde 2018 que o Coletivo tem vindo a organizar workshops solidários com a associação RDA69, procurando divulgar técnicas variadas de trabalho em têxtil. O Coletivo tem um estúdio equipado para produçã têxtil (costura, impressão em serigrafia e tingimentos) que funciona como espaço para conceção, produção e realização de diferentes projetos.

Begoña Claveria, designer gráfica
Marisa Escaleira, designer e project manager
Anafaia Supico, artista têxtil

Malva

O projeto Malva é uma investigação do coletivo Siroco sobre tingimentos naturais e estruturas arquitetónicas temporárias a realizar durante o ano 2022.

Para o projeto Malva, pensámos a construção de um espaço imersivo através da criação de uma tenda de patchwork(1) têxtil que irá revestir uma estrutura desmontável. A parte têxtil será desenvolvida a partir de tecidos cedidos pelo artista Pedro Cabrita Reis, excedentes de peças suas. No interior será criado um espaço arquitetónico em trompe l’oeil(2), criando a ilusão dum espaço decorado com quadros e esculturas, à maneira dos espaços da Antiguidade, tal como ainda são visíveis nos estuques e mosaicos de Pompeia. Estes elementos decorativos serão produzidos a partir de tecidos de fibras naturais (algodão e linho) que resultarão de três momentos de investigação e trabalho dedicados a tingimentos naturais artesanais(3), com cores extraídas de plantas, acrescentando, assim, uma outra camada de plasticidade à base têxtil feita com os materiais cedidos por Pedro Cabrita Reis (tecidos de fibras sintéticas tingidos industrialmente com corantes igualmente sintéticos).

Para tal, serão também desenvolvidas modalidades de produção em continuidade com a nossa prática, abrindo ainda caminhos para outros domínios: uma produção feita de colaborações e aberta à experimentação, na qual o foco não é apenas o objetivo final, mas o processo, considerando cada etapa como uma oportunidade para novas experimentações e novos encontros com vista a tornar este processo mais rico e mais denso.

Neste sentido, iremos convidar diferentes pessoas para participar no processo, tanto criativamente quanto tecnicamente. Iremos também acompanhar toda a produção com uma espécie de caderno de bordo, um objeto-livro no qual iremos guardar vestígios dos diversos processos envolvidos. Uma vez realizada a peça artística, gostaríamos de associar à sua exposição um momento de partilha do processo e dos conhecimentos adquiridos com o público.

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(1) O patchwork (do inglês: trabalho com retalho), é uma técnica de costura que consiste em unir pedaços de tecidos para criar um formato maior;
(2) Trompe l’oeil é uma técnica que, com truques de perspectiva, cria uma ilusão ótica que faz com que formas de duas dimensões aparentem possuir três dimensões. Provém de uma expressão francesa que significa “engane o olho” e é usada principalmente em pintura e arquitetura;
(3) O tingimento é um processo químico de modificação da cor da fibra têxtil através da aplicação de matérias colorantes. Até à segunda metade do século XIX, os tecidos eram tingidos a partir de corantes naturais extraídos principalmente de plantas (Indigofera Tinctoria, Garança, Reseda Luteola), mas também de insetos (diferentes espécies de Cochonilha). A partir de 1852, com as descobertas dos corantes sintéticos, a produção de plantas tintureiras, incapaz de fazer concorrência aos preços dos novos produtos comercializados, desaparece.
A partir do século XX, a indústria têxtil usa já exclusivamente corantes sintéticos, e assim se mantêm até aos dias de hoje. Algumas práticas de tingimentos naturais persistiram residualmente de forma artesanal, até um renascimento do interesse no mundo ocidental levado a cabo pelos movimentos hippie nos anos 1960 e pela generalização dos conceitos de ecologia nos anos 1980. Nas últimas décadas, com o financiamento de pesquisas por parte de instituições públicas e privadas e com a aparecimento do Capitalismo Verde, foram desenvolvidas novas práticas e processos no meio dos tingimentos naturais afim de poder introduzi-los novamente na indústria têxtil.